“E mesmo se eu ainda gostasse, qual seria a diferença? Eu gostei de cada detalhe seu. Aprendi a aturar cada mania chata que você tinha e seu gosto musical que realmente me irritava. Aprendi a gostar de tudo que você gostava, por mais que eu aparentemente odiasse. […] Esse cenário ridículo, essa comédia romântica idiota e todos esses textos sem sentido. Qual é o objetivo, afinal? Me deixar ao avesso, foder minhas expectativas e aproveitar que já acabou com tudo mesmo e surrar meu coração? Essa era a meta. Usar uma pessoa, magoar ela e depois rir da desgraça dela. E parabéns, realmente você conseguiu, acabou. Acabou com tudo aquilo que eu pensei que era. Poderia jurar que eu era aquela pessoa completamente centrada, que não se entrega fácil e que não chora na frente das pessoas, muito menos entrega suas fraquezas. Ai que tá o problema. Eu me entreguei demais. Te contei todos meus segredos, contava tudo que acontecia no meu dia-a-dia e falei que gostava de você. Admito: fui completamente imbecil por isso. Era pra eu debochar de tudo seu. Do seu sorriso, do seu jeito, das suas roupas e das suas músicas prediletas e não ficar apaixonado por tudo isso. Não era pra eu ficar lembrando de você todo dia. Eu deveria estar bem, aliás eu tô bem. Mas eu deveria ser aquele lá, que ria de tudo, tirava sarro de tudo e se enjoava fácil das pessoas. Antes de você fazer essa lavagem cerebral, eu era uma pessoa tão mais simples. Não me arriscava no amor, não me envolvia, me distanciava e não ligava. Agora me responde: qual foi o objetivo de ter feito eu gostar tanto e querer tanto se você queria ir embora? Pra quê? Eu nunca menti pra você, sempre omiti e te disse que sim, eu não amava ela, amava você, não queria ela, queria você […] Eu costumava ser assim. Acho que tá ai: “aqui se faz, aqui se paga” e aqui de um jeito simples tenta se acabar o que nem teve começo. Foi só uma prévia mal feita de uma história que não deu certo.”




